16 de março de 2018

LIVRO: O INOCENTE

16 de março de 2018




 




 Uma história real de crime e injustiça

John Grishaman



"O inocente é uma obra que desnuda as falhas do sistema judiciário americano, a precariedade da pena de morte e a desesperança daqueles que parecem ter sido esquecidos pela lei e pela justiça. Nesta obra de não-ficção, John Grisham prova que a realidade pode ser tão cheia de surpresas e reviravoltas quanto o melhor dos seus thrillers. "



Sinopse:

 Ron Williamson foi o primeiro jogador de beisebol de Oklahoma a ser convocado para a liga profissional em 1971. Ao assinar contrato com um grande time, ele disse adeus a sua pequena cidade natal e partiu em busca de fama e glória.

 Seis anos depois, ele retorna com os sonhos frustrados, um histórico de contusões, alcoolismo, drogas e sexo conturbado, apresentando, também, alguns sinais de problemas mentais. Incapaz de fixar em um emprego, ele volta para a casa da mãe, onde passa quase todo o tempo dormindo no sofá.

Em 1978, Debbie Carter, uma garçonete de 26 anos, é estuprada e assassinada em seu apartamento. Pressionada para dar uma posição ao crime que chocou a cidade, a polícia, por razões que nunca ficaram claras, resolve fazer com que as principais suspeitas recaiam sobre Ron Williamson e seu amigo Dennis Fritz. Os dois acabam sendo presos e julgados em 1987.

Sem evidência concreta da culpa de ambos, o processo de acusação é todo construído a partir de comprovações científicas duvidosas e testemunhos repletos de contradições. Dennis Fritz é condenado a prisão perpétua e Ron Williamson, despachado para o corredor da morte.


Minha opinião:     
Eu particularmente adoro livros que retratam histórias reais, e esse, com certeza, é um dos meus livros favoritos. O começo, acaba sendo um pouco maçante, pois conta em detalhes a vida de Ron. Do sonho ao pesadelo.

Ron, quando criança, levava uma vida regrada, voltada a Cristo, mas isso muda quando ele conhece o beisebol, e se torna uma grande promessa do esporte.
Alcoólatra e bipolar, Ron acaba perdendo oportunidades profissionais, tendo que voltar a viver na pequena cidade de Ada, se tornando conhecido pelas autoridades, pelos problemas que causava na cidade. 

Na manhã de 8 de dezembro de 1982, Debbie Carter, foi encontrada morta em  seu apartamento, causando um grande alvoroço na cidade. O violento crime era um mistério para a polícia, que pressionada a desvendá-lo, precisava de um suspeito. Como Ron era um baderneiro que já possuía acusações de estupro, a polícia o colocou como principal suspeito do crime.

A acusação sobre Ron, não era o suficiente para a polícia, que acreditava que existir um segundo personagem na cena do crime. Sendo assim, escolheram Dennis Fritz, um pai, viúvo, amigo de Ron, que morava no mesmo bairro que a vítima e faltara no trabalho no dia do crime.

Ron e Dennis foram condenados a pena de morte e prisão perpétua respectivamente, o que levaria Ron a insanidade. Dennis, apesar de não estar no corredor da morte, sentia-se como estivesse. 

E aqui surge uma curiosidade interessante: Os condenados a prisão perpétua, não podem ter sua pena revogada, enquanto os condenados a morte, tem até o último segundo para serem "perdoados". (Na sala de execução, há um telefone usado para contato com o Governador e o Promotor de Justiça, que são as pessoas autorizadas a adiar e/ou cancelar a execução da pena.)

No decorrer dos fatos, acontece um outro crime: o desaparecimento de Denice Haraway, em que novamente, a polícia, desesperada pela solução do crime, acaba condenando  outros dois inocentes.

A história é desesperadora, pois não há evidências reais sobre os acusados. Tudo é baseado em confissões de sonhos, testemunhos contraditórios e suposições.
É interessante, pois aos que enaltecem outras nações, podem ver que não é só o Brasil que possui um sistema judiciário falho.

Uma coisa que me chamou atenção neste livro, é que no meio dele, há imagens reais dos personagens dessa trama. O que seria muito legal,  SEEEEEEE... as legendas das fotos não revelassem o final da história. Isso me frustrou bastante, pois acabei perdendo o entusiasmo na história.


É notório o conhecimento de causa de John Grishman, e como ele consegue explanar seu conhecimento de maneira clara, de fácil compreensão, apesar de usar um tom mais sarcástico que investigativo. Ainda assim, é um livro que vale cada linha.